quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Vamos conversar sobre avaliação? Aproveitem mais um texto produzido para o Curso de Especialização em Gestão Escolar. Trata-se de uma proposta de avaliação institucional. Quem tem medo dela? Boa reflexão!
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AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL NA PERSPECTIVA DA GESTÃO DEMOCRÁTICA

Ao pensarmos na construção de uma proposta de avaliação institucional, em primeiro lugar devemos definir o que é e para que serve tal avaliação.
Em resumo, devemos pontuar que o objetivo final da avaliação institucional é garantir maior qualidade no processo educativo promovido pela escola. Para tanto, é preciso discutir e definir coletivamente indicadores de qualidade a partir da seguinte pergunta: “em que se traduz a qualidade de ensino nesta instituição escolar?” Muitas são as pesquisas e referenciais teóricos que discutem o que é qualidade em educação, porém, é um erro que isto seja posto para a equipe em um conceito único e universal a ser simplesmente adotado e seguido. Essa discussão deve ser relativizada diante da realidade local e o conceito deve brotar das ideias do próprio grupo[1].
Uma vez compreendido que a meta da avaliação institucional é reorientar a prática pedagógica e os procedimentos da instituição com vistas à qualidade de ensino e definidos os indicadores locais dessa qualidade, é preciso definir os aspectos da escola que serão avaliados e como será feita essa avaliação, ou seja, deve ser feita a definição dos instrumentos de avaliação e estabelecida a periodicidade com que ela será aplicada. Nesse ponto, a escola deve optar por instrumentos como questionários e/ou entrevistas e escolher quando se dará a avaliação. No Município de Presidente Prudente, por exemplo, a avaliação formal da unidade ocorre a cada semestre, como previsto no calendário escolar, mas nada impede que se adote uma perspectiva contínua e que a avaliação seja feita informalmente também em outros momentos.
A forma como sugerimos que a avaliação institucional seja aplicada, passa pela nossa concepção sobre o que é a gestão democrática. Entendemos que esse tipo de gestão pressupõe o diálogo aberto e constante, bem como a disposição da equipe gestora em ouvir todos os atores do processo de ensino-aprendizagem em busca da construção coletiva de uma proposta educativa para a instituição escolar.
Nesse sentido, sugerimos uma avaliação institucional ampla e organizada de tal forma que atinja de maneira específica cada segmento da escola, a saber: corpo docente, equipe gestora, equipe de apoio, alunos, pais e comunidade.
O corpo docente deve ser convidado a refletir e responder sobre suas práticas cotidianas, procedimentos de planejamento, concepções pedagógicas, relacionamento com alunos e pais, relacionamento interpessoal dentro da equipe e condições de trabalho. A reflexão da equipe de apoio deve seguir a mesma linha, guardadas as devidas proporções e as especificidades de cada função. 
Como sabemos, esse trabalho demanda uma boa dose de autocrítica e sinceridade e seu resultado não é garantido. Por outro lado, consideramos que ele depende de uma relação de confiança entre a equipe e os gestores que deve ser trabalhada e vista como parte de um processo maior de construção da própria identidade do grupo.
Colocamos a seguir algumas perguntas, dentre tantas outras possibilidade, que podem guiar esse trabalho de reflexão junto ao corpo docente e equipe de apoio:
·         De acordo com minhas concepções, considero que a escola está atingindo seus objetivos em relação aos alunos e à comunidade?
·         Quais são seus pontos fortes e pontos fracos?
·         Como me posiciono em relação aos problemas coletivos?
·         Estou conseguindo atingir os objetivos propostos para o meu trabalho?
·         O que está impedindo que eu atinja amplamente esses objetivos?
·         Quais atitudes minhas podem reverter essa situação?
·         O que espero da equipe gestora em relação ao meu trabalho?
Os alunos também podem contribuir e fazer parte da avaliação institucional, já que são os principais interessados no que a escola tem para oferecer. É preciso lembrar que a visão que os alunos da primeira etapa do ensino fundamental têm da escola é limitada devido à pouca idade, porém ela pode fornecer um retrato interessante do que ocorre na sala de aula e até da representação que as famílias têm da instituição.
Já em relação ao instrumento de avaliação que será trabalhado com as famílias, pensamos que pode ser aplicado tanto um questionário como colhidos alguns depoimentos sobre como os pais entendem que está a escola em relação ao cumprimento de seus objetivos e função social. A escola está atendendo aos anseios da comunidade? Como está a aprendizagem dos alunos? Como é o relacionamento das famílias com a equipe gestora e com os docentes? Como tem sido os encaminhamentos em caso de conflitos entre escola e família? Quem está mediando estes conflitos? A escola consegue sanar os problemas ou necessita de agentes externos? Inúmeras são as possibilidades de questionamentos e as falas das famílias são um feedback fundamental em relação ao planejamento das ações da escola. Por outro lado, é preciso considerar que na maioria das vezes a visão da comunidade, bem como as demandas colocadas por ela, traz um entendimento simplificado dos fenômenos educacionais, baseados no senso comum e na experiência de vida dos sujeitos.  São anseios simples e imediatistas, que não contém a compreensão dos aspectos técnicos e as concepções dos especialistas em educação, portanto, o bom senso é a palavra de ordem no momento de analisá-los e usá-los como ponto de partida para a tomada de decisões.
A partir dessa explanação geral, acreditamos que a próxima etapa da avaliação institucional (que não será apresentada neste texto) seja a elaboração pela equipe gestora de questionários específicos para cada segmento da comunidade escolar. A meta deve ser filtrar as opiniões e os anseios de cada segmento presente na escola para, a partir deles, dimensionar necessidades e possibilidades de ações a serem incluídas na proposta pedagógica e no projeto político-pedagógico da instituição.

Referências bibliográficas

RIBEIRO, Vera Masagão; RIBEIRO, Vanda Mendes; GUSMÃO, Joana Buarque de. Indicadores de qualidade para a mobilização da escola. Cadernos de Pesquisa, v. 35, n. 124, jan./abr. 2005. p. 227-251.



[1] A necessidade de relativizar os indicadores de qualidade foi apontada no seguinte artigo:
RIBEIRO, Vera Masagão; RIBEIRO, Vanda Mendes; GUSMÃO, Joana Buarque de. Indicadores de qualidade para a mobilização da escola. Cadernos de Pesquisa, v. 35, n. 124, jan./abr. 2005. p.227-251

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