quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Boa noite! Mais um texto do Curso de Gestão, para refletir!
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Texto produzido como tarefa para o Curso de Especialização em Gestão Escolar:
Revolução Digital e o Papel do Gestor Escolar

Acreditamos que para analisar o papel do gestor escolar dentro do atual cenário de revolução digital, devemos enfocar pelo menos duas vertentes, uma pedagógica e outra política, sendo esta última relacionada com procedimentos e objetivos da gestão democrática da escola pública. Em primeiro lugar, observemos a dimensão que esse fenômeno de evolução continuada da tecnologia alcançou nos dias atuais e as relações dele com a escola.
O envolvimento dos indivíduos com o ciberespaço é um movimento universal e irreversível. É impossível negar o fascínio e o poder que as redes sociais e todo este universo digital exercem entre as pessoas, sobretudo entre os mais jovens. Cada vez mais as pessoas se conectam e expõem suas vidas nas redes sociais, buscam a internet para resolver problemas do dia a dia ou como fonte de informações sobre qualquer curiosidade que tenham. Todos passaram a ser ao mesmo tempo consumidores e produtores de conhecimento dentro da rede mundial de computadores, na medida em que as ferramentas de interação oferecem inúmeras possibilidades de trocar informações, acessar, acumular e rever conhecimentos e conceitos. Todos auxiliam todos em sua busca pela informação e conhecimento. Todos os seres humanos conectados sobre a face da Terra podem disponibilizar uns para os outros seus conhecimentos e idéias pela Internet se assim o desejarem, conteúdos estes que podem ser acessados com alguns cliques, em questão de segundos. Vivemos o auge da interação e da sociedade do conhecimento, sem dúvida, mas resta a pergunta: onde vamos chegar com tudo isso?
A mobilidade de acesso conquistada atualmente com o uso da Internet nos dispositivos móveis (como tablets e smartphones) teria trazido inclusive mudanças cognitivas no indivíduo contemporâneo. A vida passou a existir em dois universos paralelos que se cruzam facilmente, conforme a necessidade e a conveniência de cada um. Existe o espaço físico e o ciberespaço (espaço virtual), sendo que o indivíduo transita livremente por entre eles, não há mais barreiras que limite ou dificulte este trânsito.
Podemos estar num parque com amigos e acessar nossas redes sociais, podemos estar no trabalho e ler notícias numa plataforma virtual, dentre tantas possibilidades. Essa conexão contínua, essa ânsia de consultar as atualizações e notificações das redes sociais, a possibilidade de acessar a qualquer momento mecanismos de busca para saciar curiosidades cotidianas ou realizar pesquisas sérias, tudo isso teria provocado, segundo Santaella (2013), uma nova forma de lidar com o conhecimento e de ler o mundo a nossa volta.
A autora coloca, com propriedade, que esse leitor atual é ubíquo, ou seja, está em todos os lugares ao mesmo tempo, tendo sua atenção dividida entre o mundo real e o virtual. Nesse sentido, essa atenção dividida, essa capacidade de atender aos dois focos ao mesmo tempo, não é necessariamente algo produtivo em termos de aquisição do conhecimento, uma vez que o leitor adquire informações rapidamente e passa de um site a outro, de um assunto para outro, sem conseguir refletir sobre o que lê, sem chegar a ser crítico a respeito dos conteúdos que simplesmente assimila.
Um novo tipo de aprendizagem teria surgido também desse cenário de mentes divididas entre esses dois mundos. Essa aprendizagem, também chamada de ubíqua, seria, segundo a mesma autora, um fenômeno espontâneo, fragmentado e até mesmo caótico, surgido da necessidade e dos interesses pontuais das pessoas. Seria uma espécie da aprendizagem sem ensino, ou seja, parte do indivíduo e termina nele mesmo, sem necessitar de interlocutores ou mediadores externos.
Então chegaremos a um ponto em que a escola se tornará uma instituição dispensável nas sociedades modernas? Todos se tornarão autodidatas ou produzirão suas aprendizagens exclusivamente no ambiente virtual, talvez com mediadores virtuais também?
Não cheguemos tão longe e nem sejamos tão radicais. A escola deve passar por um período de adaptação para ter sucesso nesses novos tempos. A revolução tecnológica causada pelo advento da Web 2.0, com suas redes sociais e uma profusão de ferramentas para interação dos internautas, atinge o universo educacional em cheio a partir do momento que, de certa forma, rivaliza com a escola em termos de ser um espaço de acesso rápido a informações atualizadas e diversificadas.
É preciso usar todos esses recursos tecnológicos em favor da escola e não tentar subjugá-los em prol da manutenção dos procedimentos tradicionais e inflexíveis de uma instituição que certamente não produz mais os mesmos resultados que outrora.
A situação atual traz várias angústias para educadores e gestores, como por exemplo: como lidar com alunos que teoricamente têm todo o conhecimento da humanidade em suas mãos, em seus smartphones, a poucos cliques de distância? Como estimular jovens que tem sua atenção voltada o tempo todo para o que acontece fora da escola, isto é, no ambiente virtual?  Se os devidos cuidados não forem tomados, a escola passará a ser vista como instituição obsoleta e as aulas serão sempre desinteressantes, o professor que não tem domínio do conteúdo poderá ser desmascarado publicamente pelos alunos ao primeiro deslize, só para citar algumas possibilidades. A questão central desse desequilíbrio é que a escola e seus professores não são mais detentores absolutos do conhecimento, pois ele está agora ao alcance de quem o procura sabendo o que faz. 
Outra característica a ser abordada a respeito da aprendizagem ubíqua é que ela surge também como fenômeno de criação colaborativa. Não se trata de uma pessoa sozinha com seu dispositivo móvel estudando, pesquisando conteúdos estáticos e produzindo conhecimento individualmente. A aprendizagem ubíqua é resultado de um movimento de interação entre indivíduos, de forma que as necessidades de informação e problemas são compartilhados e resolvidos coletivamente, de forma colaborativa e solidária. Essa característica exibe ainda um dos fatores pelo qual a revolução tecnológica baseada na interação é tão atrativa para os jovens, ou seja, a vontade permanente de estar interligado a seus pares, de viver em comunidade e trocar experiências.
Por outro lado, apesar de todo esse alvoroço em torno da moda das redes sociais e dos avanços tecnológicos, os educadores e interessados na questão precisam se conscientizar (e se tranquilizar) sobre o fato de que a aprendizagem ubíqua, construída individualmente e colaborativamente pela experiência do estudante com as ferramentas da Internet, jamais vai substituir a educação formal, pois esta última é um fenômeno que depende da troca entre seres humanos para a construção de um conhecimento sólido e permanente, uma experiência que precisa ser sistematizada e planejada para que alcance êxito.
A escola deve se apropriar das novas tecnologias, incorporando-as ao seu fazer pedagógico e não tentar excluí-las de seus muros, pois essa medida soará anacrônica e ineficaz.  É preciso repensar as estratégias de ensino tendo em vista o fenômeno da ubiqüidade que atinge a educação através do acesso rápido e permanente a qualquer informação. Não se trata de rejeitar os métodos que foram construídos dentro da Pedagogia ao longo do tempo, mas de complementá-los com os novos recursos tecnológicos que temos disponíveis hoje. A aprendizagem ubíqua precisa ser complementada pela educação formal e vice-versa.
Nessa perspectiva, a tarefa do gestor escolar é refletir e construir coletivamente com sua equipe estratégias para integração dessas novas tecnologias no cotidiano da escola, de forma que elas propiciem novas experiências aos estudantes e aprimorem o conhecimento adquirido através dos processos tradicionais da educação formal.
A escola não pode abrir mão dos conteúdos e métodos tradicionais por um motivo muito simples: a aprendizagem ubíqua não é suficiente para formar o indivíduo que necessitamos nessa sociedade da informação. Não basta estar conectado e acessar informações rápidas, é preciso interpretá-las, compreender as entrelinhas, ser crítico em relação ao que se vê ao redor e saber o que fazer com o conhecimento que nos chega. A sociedade nunca prescindirá da educação formal, pois é a ela que cabe a tarefa de transformar o ser humano em homem racional, capaz de pensar e produzir transformações em seu meio social.
Por outro lado, analisando a revolução tecnológica e a inclusão digital sob a ótica da política e de sua função social, devemos lembrar que as redes sociais e ferramentas da Web 2.0, como os blogs, servem a outros propósitos dentro da gestão escolar. É preciso pensar em inclusão digital como parte de uma inclusão social, dessa forma, a Internet também pode ser um instrumento para tornar a escola uma instituição mais aberta e plural, com uma administração pautada pelo diálogo com a comunidade. Com esse objetivo, as redes sociais e blogs podem ser usados para diversos fins, como: divulgar os projetos e o trabalho cotidiano realizado na instituição, trocar informações com outras escolas (produzindo conhecimento através da convivência com outras realidades) e para conhecer e ouvir a comunidade, obtendo um valioso feedback sobre a prática pedagógica. Várias são as estratégias que podem ser usadas para, por meio da Internet, aproximar a escola da comunidade em seu entorno. É preciso que o gestor escolar “abrace essa causa”, por assim dizer, convencendo a equipe de que isso será benéfico para todos e resultará em melhor rendimento para os estudantes. A Internet, principalmente através da interação nos blogs e redes sociais, pode ser um importante instrumento para tornar a escola mais democrática e transparente para sua comunidade, basta que todos estejam alinhados com o mesmo objetivo, que é aproximar a escola pública do público, tornando-a mais acessível e interessante para todos.




Referências:

SANTAELLA, Lucia. Leitor Prossumidor – Desafios da Ubiquidade para a Educação. Artigo de periódico. Disponível em: http://www.revistaensinosuperior.gr.unicamp.br/edicoes/edicoes/ed09_abril2013/NMES_1.pdf

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