Boa noite! Mais um texto do Curso de Gestão, para refletir!
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Texto produzido como tarefa para o Curso de Especialização em Gestão Escolar:
Revolução Digital e o Papel do
Gestor Escolar
Acreditamos que para
analisar o papel do gestor escolar dentro do atual cenário de revolução
digital, devemos enfocar pelo menos duas vertentes, uma pedagógica e outra
política, sendo esta última relacionada com procedimentos e objetivos da gestão
democrática da escola pública. Em primeiro lugar, observemos a dimensão que
esse fenômeno de evolução continuada da tecnologia alcançou nos dias atuais e
as relações dele com a escola.
O envolvimento dos
indivíduos com o ciberespaço é um movimento universal e irreversível. É
impossível negar o fascínio e o poder que as redes sociais e todo este universo
digital exercem entre as pessoas, sobretudo entre os mais jovens. Cada vez mais
as pessoas se conectam e expõem suas vidas nas redes sociais, buscam a internet
para resolver problemas do dia a dia ou como fonte de informações sobre
qualquer curiosidade que tenham. Todos passaram a ser ao mesmo tempo
consumidores e produtores de conhecimento dentro da rede mundial de
computadores, na medida em que as ferramentas de interação oferecem inúmeras
possibilidades de trocar informações, acessar, acumular e rever conhecimentos e
conceitos. Todos auxiliam todos em sua busca pela informação e conhecimento. Todos
os seres humanos conectados sobre a face da Terra podem disponibilizar uns para
os outros seus conhecimentos e idéias pela Internet se assim o desejarem,
conteúdos estes que podem ser acessados com alguns cliques, em questão de
segundos. Vivemos o auge da interação e da sociedade do conhecimento, sem
dúvida, mas resta a pergunta: onde vamos chegar com tudo isso?
A mobilidade de acesso conquistada
atualmente com o uso da Internet nos dispositivos móveis (como tablets e smartphones) teria trazido inclusive mudanças cognitivas no
indivíduo contemporâneo. A vida passou a existir em dois universos paralelos
que se cruzam facilmente, conforme a necessidade e a conveniência de cada um.
Existe o espaço físico e o ciberespaço (espaço virtual), sendo que o indivíduo
transita livremente por entre eles, não há mais barreiras que limite ou
dificulte este trânsito.
Podemos estar num parque
com amigos e acessar nossas redes sociais, podemos estar no trabalho e ler
notícias numa plataforma virtual, dentre tantas possibilidades. Essa conexão
contínua, essa ânsia de consultar as atualizações e notificações das redes
sociais, a possibilidade de acessar a qualquer momento mecanismos de busca para
saciar curiosidades cotidianas ou realizar pesquisas sérias, tudo isso teria
provocado, segundo Santaella (2013), uma nova forma de lidar com o conhecimento
e de ler o mundo a nossa volta.
A autora coloca, com
propriedade, que esse leitor atual é ubíquo, ou seja, está em todos os lugares
ao mesmo tempo, tendo sua atenção dividida entre o mundo real e o virtual. Nesse
sentido, essa atenção dividida, essa capacidade de atender aos dois focos ao
mesmo tempo, não é necessariamente algo produtivo em termos de aquisição do
conhecimento, uma vez que o leitor adquire informações rapidamente e passa de
um site a outro, de um assunto para outro, sem conseguir refletir sobre o que
lê, sem chegar a ser crítico a respeito dos conteúdos que simplesmente
assimila.
Um novo tipo de
aprendizagem teria surgido também desse cenário de mentes divididas entre esses
dois mundos. Essa aprendizagem, também chamada de ubíqua, seria, segundo a
mesma autora, um fenômeno espontâneo, fragmentado e até mesmo caótico, surgido
da necessidade e dos interesses pontuais das pessoas. Seria uma espécie da
aprendizagem sem ensino, ou seja, parte do indivíduo e termina nele mesmo, sem
necessitar de interlocutores ou mediadores externos.
Então chegaremos a um
ponto em que a escola se tornará uma instituição dispensável nas sociedades
modernas? Todos se tornarão autodidatas ou produzirão suas aprendizagens
exclusivamente no ambiente virtual, talvez com mediadores virtuais também?
Não cheguemos tão longe
e nem sejamos tão radicais. A escola deve passar por um período de adaptação
para ter sucesso nesses novos tempos. A revolução tecnológica causada pelo advento
da Web 2.0, com suas redes sociais e uma profusão de ferramentas para interação
dos internautas, atinge o universo educacional em cheio a partir do momento
que, de certa forma, rivaliza com a escola em termos de ser um espaço de acesso
rápido a informações atualizadas e diversificadas.
É preciso usar todos
esses recursos tecnológicos em favor da escola e não tentar subjugá-los em prol
da manutenção dos procedimentos tradicionais e inflexíveis de uma instituição que
certamente não produz mais os mesmos resultados que outrora.
A situação atual traz
várias angústias para educadores e gestores, como por exemplo: como lidar com
alunos que teoricamente têm todo o conhecimento da humanidade em suas mãos, em
seus smartphones, a poucos cliques de
distância? Como estimular jovens que tem sua atenção voltada o tempo todo para
o que acontece fora da escola, isto é, no ambiente virtual? Se os devidos cuidados não forem tomados, a
escola passará a ser vista como instituição obsoleta e as aulas serão sempre
desinteressantes, o professor que não tem domínio do conteúdo poderá ser
desmascarado publicamente pelos alunos ao primeiro deslize, só para citar
algumas possibilidades. A questão central desse desequilíbrio é que a escola e
seus professores não são mais detentores absolutos do conhecimento, pois ele
está agora ao alcance de quem o procura sabendo o que faz.
Outra característica a
ser abordada a respeito da aprendizagem ubíqua é que ela surge também como
fenômeno de criação colaborativa. Não se trata de uma pessoa sozinha com seu
dispositivo móvel estudando, pesquisando conteúdos estáticos e produzindo
conhecimento individualmente. A aprendizagem ubíqua é resultado de um movimento
de interação entre indivíduos, de forma que as necessidades de informação e
problemas são compartilhados e resolvidos coletivamente, de forma colaborativa
e solidária. Essa característica exibe ainda um dos fatores pelo qual a
revolução tecnológica baseada na interação é tão atrativa para os jovens, ou
seja, a vontade permanente de estar interligado a seus pares, de viver em
comunidade e trocar experiências.
Por outro lado, apesar
de todo esse alvoroço em torno da moda das redes sociais e dos avanços
tecnológicos, os educadores e interessados na questão precisam se conscientizar
(e se tranquilizar) sobre o fato de que a aprendizagem ubíqua, construída
individualmente e colaborativamente pela experiência do estudante com as
ferramentas da Internet, jamais vai substituir a educação formal, pois esta
última é um fenômeno que depende da troca entre seres humanos para a construção
de um conhecimento sólido e permanente, uma experiência que precisa ser
sistematizada e planejada para que alcance êxito.
A escola deve se
apropriar das novas tecnologias, incorporando-as ao seu fazer pedagógico e não
tentar excluí-las de seus muros, pois essa medida soará anacrônica e
ineficaz. É preciso repensar as
estratégias de ensino tendo em vista o fenômeno da ubiqüidade que atinge a
educação através do acesso rápido e permanente a qualquer informação. Não se
trata de rejeitar os métodos que foram construídos dentro da Pedagogia ao longo
do tempo, mas de complementá-los com os novos recursos tecnológicos que temos
disponíveis hoje. A aprendizagem ubíqua precisa ser complementada pela educação
formal e vice-versa.
Nessa perspectiva, a
tarefa do gestor escolar é refletir e construir coletivamente com sua equipe
estratégias para integração dessas novas tecnologias no cotidiano da escola, de
forma que elas propiciem novas experiências aos estudantes e aprimorem o
conhecimento adquirido através dos processos tradicionais da educação formal.
A escola não pode abrir
mão dos conteúdos e métodos tradicionais por um motivo muito simples: a
aprendizagem ubíqua não é suficiente para formar o indivíduo que necessitamos
nessa sociedade da informação. Não basta estar conectado e acessar informações
rápidas, é preciso interpretá-las, compreender as entrelinhas, ser crítico em
relação ao que se vê ao redor e saber o que fazer com o conhecimento que nos
chega. A sociedade nunca prescindirá da educação formal, pois é a ela que cabe
a tarefa de transformar o ser humano em homem racional, capaz de pensar e
produzir transformações em seu meio social.
Por outro lado, analisando
a revolução tecnológica e a inclusão digital sob a ótica da política e de sua
função social, devemos lembrar que as redes sociais e ferramentas da Web 2.0,
como os blogs, servem a outros propósitos dentro da gestão escolar. É preciso
pensar em inclusão digital como parte de uma inclusão social, dessa forma, a
Internet também pode ser um instrumento para tornar a escola uma instituição
mais aberta e plural, com uma administração pautada pelo diálogo com a
comunidade. Com esse objetivo, as redes sociais e blogs podem ser usados para
diversos fins, como: divulgar os projetos e o trabalho cotidiano realizado na
instituição, trocar informações com outras escolas (produzindo conhecimento
através da convivência com outras realidades) e para conhecer e ouvir a
comunidade, obtendo um valioso feedback
sobre a prática pedagógica. Várias são as estratégias que podem ser usadas
para, por meio da Internet, aproximar a escola da comunidade em seu entorno. É
preciso que o gestor escolar “abrace essa causa”, por assim dizer, convencendo
a equipe de que isso será benéfico para todos e resultará em melhor rendimento
para os estudantes. A Internet, principalmente através da interação nos blogs e
redes sociais, pode ser um importante instrumento para tornar a escola mais
democrática e transparente para sua comunidade, basta que todos estejam
alinhados com o mesmo objetivo, que é aproximar a escola pública do público,
tornando-a mais acessível e interessante para todos.
Referências:
SANTAELLA,
Lucia. Leitor Prossumidor – Desafios da
Ubiquidade para a Educação. Artigo de periódico. Disponível em: http://www.revistaensinosuperior.gr.unicamp.br/edicoes/edicoes/ed09_abril2013/NMES_1.pdf
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