Vamos conversar sobre avaliação? Aproveitem mais um texto produzido para o Curso de Especialização em Gestão Escolar. Trata-se de uma proposta de avaliação institucional. Quem tem medo dela? Boa reflexão!
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AVALIAÇÃO
INSTITUCIONAL NA PERSPECTIVA DA GESTÃO DEMOCRÁTICA
Ao pensarmos na
construção de uma proposta de avaliação institucional, em primeiro lugar
devemos definir o que é e para que serve tal avaliação.
Em resumo, devemos
pontuar que o objetivo final da avaliação institucional é garantir maior qualidade
no processo educativo promovido pela escola. Para tanto, é preciso discutir e
definir coletivamente indicadores de qualidade a partir da seguinte pergunta:
“em que se traduz a qualidade de ensino nesta instituição escolar?” Muitas são
as pesquisas e referenciais teóricos que discutem o que é qualidade em
educação, porém, é um erro que isto seja posto para a equipe em um conceito
único e universal a ser simplesmente adotado e seguido. Essa discussão deve ser
relativizada diante da realidade local e o conceito deve brotar das ideias do
próprio grupo[1].
Uma vez compreendido
que a meta da avaliação institucional é reorientar a prática pedagógica e os
procedimentos da instituição com vistas à qualidade de ensino e definidos os
indicadores locais dessa qualidade, é preciso definir os aspectos da escola que
serão avaliados e como será feita essa avaliação, ou seja, deve ser feita a
definição dos instrumentos de avaliação e estabelecida a periodicidade com que
ela será aplicada. Nesse ponto, a escola deve optar por instrumentos como
questionários e/ou entrevistas e escolher quando se dará a avaliação. No
Município de Presidente Prudente, por exemplo, a avaliação formal da unidade
ocorre a cada semestre, como previsto no calendário escolar, mas nada impede
que se adote uma perspectiva contínua e que a avaliação seja feita
informalmente também em outros momentos.
A forma como sugerimos
que a avaliação institucional seja aplicada, passa pela nossa concepção sobre o
que é a gestão democrática. Entendemos que esse tipo de gestão pressupõe o
diálogo aberto e constante, bem como a disposição da equipe gestora em ouvir
todos os atores do processo de ensino-aprendizagem em busca da construção
coletiva de uma proposta educativa para a instituição escolar.
Nesse sentido,
sugerimos uma avaliação institucional ampla e organizada de tal forma que
atinja de maneira específica cada segmento da escola, a saber: corpo docente,
equipe gestora, equipe de apoio, alunos, pais e comunidade.
O corpo docente deve
ser convidado a refletir e responder sobre suas práticas cotidianas,
procedimentos de planejamento, concepções pedagógicas, relacionamento com
alunos e pais, relacionamento interpessoal dentro da equipe e condições de
trabalho. A reflexão da equipe de apoio deve seguir a mesma linha, guardadas as
devidas proporções e as especificidades de cada função.
Como sabemos, esse
trabalho demanda uma boa dose de autocrítica e sinceridade e seu resultado não
é garantido. Por outro lado, consideramos que ele depende de uma relação de
confiança entre a equipe e os gestores que deve ser trabalhada e vista como
parte de um processo maior de construção da própria identidade do grupo.
Colocamos a seguir algumas
perguntas, dentre tantas outras possibilidade, que podem guiar esse trabalho de
reflexão junto ao corpo docente e equipe de apoio:
·
De acordo com minhas concepções,
considero que a escola está atingindo seus objetivos em relação aos alunos e à comunidade?
·
Quais são seus pontos fortes e pontos
fracos?
·
Como me posiciono em relação aos
problemas coletivos?
·
Estou conseguindo atingir os objetivos
propostos para o meu trabalho?
·
O que está impedindo que eu atinja
amplamente esses objetivos?
·
Quais atitudes minhas podem reverter
essa situação?
·
O que espero da equipe gestora em
relação ao meu trabalho?
Os alunos também podem
contribuir e fazer parte da avaliação institucional, já que são os principais
interessados no que a escola tem para oferecer. É preciso lembrar que a visão
que os alunos da primeira etapa do ensino fundamental têm da escola é limitada
devido à pouca idade, porém ela pode fornecer um retrato interessante do que
ocorre na sala de aula e até da representação que as famílias têm da instituição.
Já em relação ao
instrumento de avaliação que será trabalhado com as famílias, pensamos que pode
ser aplicado tanto um questionário como colhidos alguns depoimentos sobre como
os pais entendem que está a escola em relação ao cumprimento de seus objetivos
e função social. A escola está atendendo aos anseios da comunidade? Como está a
aprendizagem dos alunos? Como é o relacionamento das famílias com a equipe
gestora e com os docentes? Como tem sido os encaminhamentos em caso de
conflitos entre escola e família? Quem está mediando estes conflitos? A escola
consegue sanar os problemas ou necessita de agentes externos? Inúmeras são as
possibilidades de questionamentos e as falas das famílias são um feedback fundamental em relação ao
planejamento das ações da escola. Por outro lado, é preciso considerar que na
maioria das vezes a visão da comunidade, bem como as demandas colocadas por
ela, traz um entendimento simplificado dos fenômenos educacionais, baseados no
senso comum e na experiência de vida dos sujeitos. São anseios simples e imediatistas, que não contém
a compreensão dos aspectos técnicos e as concepções dos especialistas em
educação, portanto, o bom senso é a palavra de ordem no momento de analisá-los
e usá-los como ponto de partida para a tomada de decisões.
A partir dessa
explanação geral, acreditamos que a próxima etapa da avaliação institucional
(que não será apresentada neste texto) seja a elaboração pela equipe gestora de
questionários específicos para cada segmento da comunidade escolar. A meta deve
ser filtrar as opiniões e os anseios de cada segmento presente na escola para,
a partir deles, dimensionar necessidades e possibilidades de ações a serem
incluídas na proposta pedagógica e no projeto político-pedagógico da
instituição.
Referências
bibliográficas